Chegando à China
Chegando à China
A minha viagem ocorreu dentro do
esperado. Não vou nem comentar sobre a despedida aqui, mas nunca vou esquecer
aquele relógio do aeroporto de Curitiba quando registrou 14h20min.
Saí de Curitiba e cheguei a Guarulhos 15h45min. No portão de
embarque #4, para o voo internacional às 16h30min começou o choque de
realidade.
Havia pelo menos umas sete
crianças chinesas da mesma família, brincando, cantando, comendo, fazendo uma
algazarra que só uma família chinesa consegue. O cheiro de noodles me lembrava
que dentro de algumas cansativas horas eu estaria em Beijing de novo e sozinha.
O sentimento era ambíguo de medo
e alegria de estar conquistando algo que eu tanto queria.
Não pude deixar de observar como
são precárias as instalações do aeroporto internacional de Guarulhos, o mais
movimentado do Brasil por sinal. No terminal quatro não havia mais assentos
disponíveis, em parte porque os chineses são espaçosos e havia malas espalhadas
em todos os bancos, mas mesmo se houvesse os assentos, eram desconfortáveis,
havia uma pequena cafeteria em nível de beira de estrada e não de aeroporto
internacional.
Aguardei a hora do embarque,
nesse momento estava pensando o Brasil irá sediar uma copa do mundo em dois
anos, as escolas de samba terão que se esforçar para tirar a má impressão que
os turistas terão de nossas instalações.
Embarquei no avião, não sem antes
passar por uma fila desorganizada em que cada um entrava onde bem entendia.
No avião sentou-se ao meu lado
uma chinesa de 39 anos, engenheira, veio ao Brasil à trabalho, pude me
comunicar com ela misturado meu pobre chinês com o pouco inglês dela.
O voo faria uma parada técnica em
Madrid, eu estava apreensiva porque recentemente alguns brasileiros tiveram
problemas neste aeroporto. Logo antes de descer a minha “amiga chinesa” me
convidou para descer e passear pelo aeroporto com ela e com os colegas de
trabalho dela, eu aceitei o desafio.
Não precisaríamos passar na
alfândega novamente, porém tivemos que passar as malas no raio-X.
Dessa vez foi um stress, havia apenas dois funcionários espanhóis e 1 máquina
de raio-X para mais de 200 chineses apressados, crianças chorando, pessoas
cortando a frente na fila. Mas nada foi pior que o tratamento dos funcionários
do aeroporto, eles gritavam em espanhol para os chineses que é obvio, não
entendiam nada.
Passando a confusão do raio-X
faltavam apenas 30 minutos para o embarque, tratei de procurar o portão de
embarque, no meio da confusão eu já tinha perdido a minha amiga chinesa,
encontrei novamente só na fila de embarque.
O aeroporto de Madrid sim é muito
bonito e confortável, digno de um país de primeiro mundo, tirando o atendimento
dos funcionários é claro.
Logo embarquei para mais 12 horas
de viagem de Madrid até Beijing. A viagem foi tranquila, dormi parte do tempo e
conversei com a minha amiga chinesa. Dessa vez entendi que ela era casada,
porém vivia em uma casa diferente do marido porque ele trabalha longe e só se
veem nos finais de semana, ela disse que adora a liberdade de morar sozinha e poder
jogar ping-pong com seus amigos. A essa altura já estávamos íntimas e ela me
deu o cartão dela para eu entrar em contato se precisasse de algo em Beijing,
eu estava com tanto medo de chegar sozinha em Beijing que quase pedi para ficar
na casa dela.
Eu sabia que chegar até o hotel
seria uma luta, minha amiga chinesa mesmo disse que os taxistas chineses
exploram os estrangeiros.
Quando o avião começou a descer
eu já estava quase chorando, agora era eu por eu mesma.
Chegando ao terminal #3 de
Beijing você se depara com as lindas instalações do aeroporto, o teto parece o
céu cheio de estrelas, muito linda a arquitetura.
Passei sem grandes problemas pela
imigração, peguei as malas na esteira, me despedi da minha amiga chinesa já
eram 06h00min da manhã e fui em direção à saída, mas a saída do aeroporto
merece um capítulo a parte, por hoje é só.

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