Como eu vim parar na China?


Olá meu nome é Heloisa, sou estudante de mestrado de política internacional na BLCU.

Bom enquanto a Jéssica ainda está rumo ao Canadá, eu já estou na China há duas semanas e resolvi publicar as minhas anotações sobre essa experiência.

 Minha intenção aqui não é fazer um guia de viagem e nem incitar pensamentos xenofóbicos, eu apenas vou descrever meu dia a dia. Aquilo que passa na minha cabeça para que vocês possam tem uma noção de como é difícil conviver com uma cultura tão diferente da nossa, e acredite, nem tudo são mil maravilhas.

Por mais que eu já tenha morado na China por dez meses em 2008 e por mais que essa seja a oportunidade que eu busquei durante os últimos três anos a adaptação na China não tem sido fácil.

Well first things first.

Como eu vim parar na China?

Eu me inscrevi para uma bolsa de estudos junto ao MRE (Ministério das Relações Exteriores),  no site http://www.dce.mre.gov.br/oportunidades.html o MRE publica editais de todos os tipos de bolsas de estudos para vários países, é muito interessante, foi minha página inicial da internet por mais de um ano enquanto eu buscava uma oportunidade em que eu pudesse me inscrever.

Bom, nunca me esqueço em 11 de Janeiro de 2012 saiu o edital da Bolsa de estudos para China, fiquei muito empolgada, mas me inscrevi "na surdina" porque não queria criar a expectativa nas pessoas a minha volta, na verdade nem eu acreditava que ia passar.

Comecei a juntar toda a documentação, o prazo final para entrega era 23 de março de 2012, e é bom começar cedo porque não são poucas. Entre as exigências para minha bolsa em específico eram 2 cartas de recomendações de professores doutores, exames médicos e um plano de estudo tudo em inglês ou chinês é claro, toda documentação que estivesse em português deveria ter tradução juramentada $$.

O que mais doeu foi o bolso para pagar as traduções juramentadas sem ter a mínima esperança de passar. Mas aqui vai uma dica, os exames médicos eu pedi para os laboratórios emitirem os laudos diretamente em inglês, não são todos que fazem, mas não foi difícil achar alguns que o fizessem, pelo menos a conta da tradução saiu mais barata.

 Segunda parte mais difícil, contatar os professores e pedir a carta de recomendação, enviei um e-mail para a instituição que me graduei e pedi os contatos dos professores doutores. Logo que me responderam entrei em contato com os professores e os mesmos me redigiram a carta.

Terceira parte, escrever o tal plano de estudo, bom aqui no Brasil as instituições de ensino não costumam pedir planos de estudos para admissão de estudantes, não para graduação pelo menos, eu nunca tinha feito uma, então apelei para o google: “study plan” e recebi milhões de modelos de tudo que é tipo, qual seria o modelo que a China queria? Não fazia a menor ideia, fui juntando um pedacinho da cada modelo e formulei meu primeiro plano de estudo sobre a diminuição das barreiras alfandegárias e dos trâmites burocráticos entre Brasil e China, eu sei polêmico né?

O professor que escreveu a minha carta de recomendação também achou o tema idealista e ingênuo demais. Então ele sugeriu um novo tema: Protecionismo, ou seja, estudar as ferramentas utilizadas pelos mercados para proteger a indústria interna.

Eu achei o tema interessante e não relutei em mudar. Reescrevi o plano de estudo, nada muito elaborado, pesquisei um pouco, mas escrevi o que vinha do coração o que eu tinha vontade de estudar. Se alguém tiver interesse em ver pode me enviar um e-mail que eu encaminho o plano de estudo, mas não estou certa se pode servir como exemplo.

Juntei toda documentação e como toda boa brasileira postei no correio na última semana, dia 19 de Março e a documentação chegaria a Brasília dia 21, em tempo, já que as inscrições iam até o dia 23 de Março.

A partir daí a única coisa que pude fazer era esperar, o resultado das bolsas deveria sair no final de Julho e nada mais. Verifiquei que no ano anterior o resultado saiu no dia 23 de Julho e fiquei com essa data na cabeça.

Esse ano, só para aumentar a aflição, no dia 24 de Julho ainda não havia saído o resultado no site. Comecei a fazer as contas e verifiquei que as aulas começavam em setembro, então imaginei que a embaixada já deveria estar contatando os alunos que passaram e imaginei que eu não havia passado, pois ninguém havia me contatado até essa data.

 Resolvi ligar para embaixada da China no Brasil, mas sem nenhuma esperança que eles me dessem o resultado. Pedi para falar com alguém sobre as bolsas de estudos, a moça gentilmente me perguntou qual era o meu nome que ela ia checar se eu estava na lista de aprovados, meu coração veio na boca, eu pensei que vergonha, ela vai dizer que eu não passei, mas criei coragem e falei: Heloisa (2 segundos mais demorados da minha vida) e ela respondeu com um português arrastado: “Palabéns, você passou”, a partir daí entrei em êxtase, e só o que eu pude responder repetidas vezes foi “não acredito”.

Bom hoje eu acredito, meu nome esta lá na lista, e para eliminar qualquer dúvida, eu estou aqui na China.

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