O dia que eu conheci a Bota

Não estou falando de um tipo de calçado, Botagoz é uma garota do Cazaquistão que estuda na minha turma, o apelido dela é Bota (e ela sabe que no Brasil sôa parecido com um tipo de calçado e não gosta que façam piadas sobre isso). Conheci Bota no primeiro dia de aula, mas só alguns dias depois ela se tornaria uma importante coadjuvante da minha história na China.
 
Lembro muito bem logo que a conheci eu vivia reclamando da minha vida aqui, ela estava tendo alguns problemas com o banco e não conseguia sacar o dinheiro, ela virou e me disse: "seus problemas não são tão grandes sabia?" Essas palavras foram suficientes para eu parar de sentir pena de mim, realmente meus problemas não eram tão grandes. Às vezes precisamos que alguém nos diga isso.
 
Bota foi a primeira verdadeira amizade que mantive com alguém que não fosse do Brasil e estou aprendendo muitas coisas com ela.
Ela sabe cantar ai se eu te pego do Michel Teló sem nenhum erro (e não fui eu que ensinei, ela aprendeu no Cazaquistão), mas eu falei para ela que é música de gosto duvidoso e já estou ensinando outra, Resposta do Skank e ela está adorando.
 
Ela tem um caráter forte, é guerreira, é leal, engraçada e me ajuda a economizar porque ela é contadora.  hehe
 
Eu aprendi que no Cazaquistão as pessoas não são muito abertas a estrangeiros (talvez resquícios da extinta URSS), mas ela realmente me emocionou quando ela disse que não se importa muito com o país, religião ou com a cor da pessoa, o que faz a diferença é o carácter, concordo plenamente! Mas o que me comoveu é que no início ela não era tão aberta e essa experiência aqui com certeza ajudou a mudar a cabeça dela. (Já valeu o preço da passagem)
 
No Cazaquistão você não pode criticar o governo e pode ser preso por beber ou fumar na rua. Consegue imaginar isso no Brasil?
Não existem baratas no Cazaquistão. Se eles eliminarem os ratos e os morcegos mudo para lá. As novelas brasileiras são famosas no Cazaquistão, ela sempre cita Por Amor (aquela com a Regina Duarte) e Torre de Babel.
 
Ela fala russo e me ajudou a superar o meu trauma de russos, eu estive na Rússia em 2005, mas isso é papo para outro post.
Aprendi que homens não cozinham no Cazaquistão. (Comigo não daria certo)
Ela ficou chocada quando eu falei que estava com saudades de sentar no sofá na quarta-feira assistir qualquer jogo do brasileirão com o vô tomando uma cervejinha. Ela falou: "Cerveja com o vô? Eu não posso tomar nem com o meu irmão" Acho que é por essas e outras que temos fama de povo festeiro.
Apesar de todas as diferenças culturais nos tornamos muito próximas. Um dia peço para ela escrever tudo que ela acha "estranho" nos costumes brasileiros, sou fascinada por tudo que nos torna diferentes e que nos torna iguais. Os costumes podem ser diferentes, mas as necessidades e os desejos não os mesmos apenas com maneiras diferentes de expressar.

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