Taxistas em Beijing
Logo na saída do aeroporto de Beijing você se depara com uma fila de chineses, com plaquinhas aguardando por alguém. Como eu queria que tivesse alguém me esperando, mas no meu caso teria que chegar sozinha até o hotel que havia reservado.
Fui até uma casa de câmbio, troquei alguns dolares e fui em direção a saída, no caminho fui abordada por mais de dez pessoas que diziam baixinho quando eu passava: "Helloo taxi". Esses eram os taxis clandestinos e soavam no meu ouvido como "quer comprar drogas?" ou "entra no carro que eu vou te roubar e te jogar num cantão aqui de Beijing" eu sei que a China é um dos lugares mais seguros para uma mulher viajar sozinha, mas fazer o que? Eu venho do Brasil, a violência está no nosso subconsciente, você tenta identificar situações de perigo para se proteger.
Eu já ia respondendo em chinês: "bu yao" que significa não quero, com uma expressão de não estou perdida, moro aqui há anos, não me enche. Mas no fundo estava morrendo de medo.
Desci até onde seria o local de embarque dos taxis "oficiais". E eu já fui falando que eu não queria preço de estrangeiro que eu morava aqui em Beijing, tudo mentira, com aquela duas malas de 22 quilos, quem ia acreditar?
O taxista colocou as minhas malas no carro e eu embarquei. Quando estavamos saindo do aeroporto notei que o carro não tinha taxímetro. Perguntei para ele quanto seria a corrida, ele disse 200 yuan, cerca de 66 reais, eu falei que era muito caro que eu não queria.
Aí começou a realidade, você tem que negociar tudo na China, e eles sempre tentam tirar vantagem pelo fato de você ser estrangeiro. A expressão em chinês para gringo é "laowai" como o livro da Sônia Bridi, um laowai para eles é o mesmo que notas de dolares com perninhas, não o meu caso, estudante bolsista ainda, orçamento apertado.
Bom continuei discutindo o preço com o taxista, mas na verdade eu não estava preocupada tanto com o preço, mas com o fato de o taxi não ter taxímetro, eu lembrei que uma vez em 2008 um amigo disse para nunca pegarmos esses taxis, mas não sabia bem o porquê. Fiquei morrendo de medo de novo, pronto esse também ia me roubar e me jogar no mato.
Falei que queria voltar para o aeroporto, ele quis me deixar no meio da rua, eu disse não, eu quero voltar. Voltamos, eu já estava nervosa.
Voltando para o aeroporto, mais nenhum taxista dos que eram para ser ''oficiais" quiseram me levar porque eu criei problemas com aquele, que beleza!
Voltei para o primeiro piso do aeroporto e fiquei pensando o que eu ia fazer da vida, bom se os dois taxistas iam me roubar eu decidi ir com o mais barato, o realmente clandestino. O chinês me viu passar e ofereceu taxi, eu aceitei e acompanhei ele, quando eu vi que ele já estava com um outro cliente, um rapaz de uns 22 anos, eu olhei para ele e perguntei em português: "é brasileiro?". E para minha supresa? Ele respondeu: "sim". Como eu tive esse lampejo de achar que ele era brasileiro? Não sei, coisa de Deus, só pode.
Minha vontade foi chorar de alegria é claro! Então nós negociamos o taxi clandestino juntos, ele também estava estudando em Beijing mas em outra universidade e foi até a metade do caminho no taxi comigo.
Logo que deixamos o rapaz na universidade e seguimos para o "hotel", foi cerca de 30 minutos, quando o taxista parou o carro e disse: "é aqui".
Eu olhei, não, não pode ser aqui, era um local sujo e parecia uma borracharia. Eu falei para ele não é aqui, aí ele apontou para placa e foi um pouco mais para frente, só então eu vi a entrada do hotel que ficava nos fundos, não era uma maravilha, mas pelo menos não era uma borracharia.
Paguei o taxista e desci, com duas malas de 22 quilos, e para variar ninguém apareceu para me ajudar, lá fui eu carregando as malas até a recepção.
Por incrível que pareça o hotel também merece um capítulo a parte, o meu retorno à China não perderia ibope para história da Carminha e da Nina, acredite.

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